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Plataformas digitais, uma alternativa na divulgação da cultura

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12 de nov. de 2023
8 min de leitura

Atualizado: 13 de nov. de 2023



Tiago Pimentel é ator, publicitário e head de criação da Cia Traquitana de Teatro e Soluções Criativas em Uberlândia. Foto: Bruna Paula

 

 

Por Bruna Paula

 

Os avanços da tecnologia em diversos setores essenciais da vida como comércio, educação, alimentação, indústria e serviços demonstram que a transformação tecnológica é um caminho sem volta. No âmbito da cultura, não seria diferente. As apresentações musicais e os espetáculos de teatro precisaram se adaptar às plataformas digitais.

Em 2020, diante do cenário da pandemia de Covid-19, o setor cultural precisou se reinventar em busca de soluções criativas para continuar exercendo a arte. Para além da difusão artística, a emergência de saúde pública acentuou a necessidade de divulgação da show  e teatro nas plataformas, tendo se tornado, desde então, uma prática de propaganda digital consolidada.


Segundo o artista e idealizador da Companhia Traquitana de Teatro e Soluções Criativas de Uberlândia, Tiago Pimentel, o teatro é conhecido por ser uma forma de arte híbrida. “O Teatro sempre se misturou com as outras [artes], com a dança, as artes plásticas, mas o Teatro sempre teve um preciosismo, no sentido de ser presencial”.


Além de ator, Pimentel é graduado em Publicidade e Propaganda e doutorando em Estudos Literários pela Universidade Federal de Uberlândia (UFU). Ele tem como pesquisa as novas experiências teatrais a partir dos tempos pandêmicos, explorando a inserção das produções artísticas no meio digital intensificadas no pós-pandemia.


A adesão massiva às plataformas digitais popularizou o ciberespaço, que se constitui enquanto ambiente virtual de criação de conteúdo, troca de informações e interação entre os usuários das mídias on-line. De acordo com dados da pesquisa realizada pela agência We Are Social, o WhatsApp, o YouTube, o Instagram, o Facebook e o TikTok ocupam o pódio das plataformas mais utilizadas pelos brasileiros em 2023.


Em Uberlândia, além da divulgação tradicional, como comerciais televisivos e de rádio, diferentes grupos culturais contam com as mídias sociais para gerar visibilidade ao trabalho artístico.


Além da Companhia Traquitana de Teatro e Soluções Criativas, outros segmentos também aderiam às plataformas como a dupla sertaneja Lucas e Gabriel, que conta com a parceria dos estabelecimentos onde se apresenta. Esses locais divulgam os shows por meio de panfletos, potencializando o acesso do público à conta no Instagram, administrada pelos próprios cantores.


A cantora mineira de pop e indie, Maria Eduarda Calfat, que se apresenta como Duda In The Sky, está presente nas plataformas YouTube, Instagram e Telegram, confirmando as estatísticas da pesquisa We Are Social. Para Calfat, as mídias digitais a aproximam do público e para ela é importante estar envolvida em todos os processos criativos, desde as produções musicais até o conteúdo direcionado para os meios digitais.


Na contramão dessa tendência está o músico e baterista de pop rock Isac Commiato. Apesar de utilizar o Instagram para a reproduzir o trabalho musical, a plataforma digital é uma ferramenta pouco utilizada por ele que acredita mais na divulgação boca a boca.



Luz, câmera, ação: plataformas e o teatro


Por Laura Duarte

 

 

A Companhia Traquitana de Teatro atua na cidade de Uberlândia atendendo especificamente o mundo corporativo. O grupo realiza peças em formato híbrido e de modo presencial, surgiu em 2012 com o interesse de estudantes de Teatro da Universidade Federal de Uberlândia em criar espetáculos.

 

A adaptação ao formato híbrido se deve às intercorrências do período da pandemia. Com o passar do tempo, o custo-benefício das produções on-line se tornaram vantajosas para as empresas de todo o Brasil, que procuraram a Companhia para contratação de serviços.

 

Atualmente, o grupo atende as grandes empresas de toda a região de Uberlândia, além de abranger organizações dos estados de São Paulo e Goiás. Os eventos realizados são adaptados de acordo com o público, que varia de trabalhadores da área fabril da produção e da área da comunicação, como marketing, design e recurso humanos.


As peças são apresentadas de acordo com o interesse dos clientes, sendo oferecidas peças-padrão com temas que variam de segurança no trabalho, saúde mental e combate ao uso de drogas, além de inéditas feitas por pedidos específicos dessas corporações.

 


A Cia Traquitana de Teatro e Soluções Criativas possui sede localizada em Uberlândia. Foto: Bruna Paula


Tiago Pimentel, roteirista e artista da Traquitana, conta sobre a peça “O Zumbi Doidão”,  que voltou a ser apresentada pelo grupo  nesse ano e que aborda a história de Jacinto, um homem que, por não cuidar da saúde, “bateu as botas” e virou um zumbi. “O que vai fazê-lo deixar de ser esse zumbi? O que é o zumbi? É a figura que não se sente, que não se percebe, que está ali apenas passando os dias. Então a gente usa essas metáforas para tentar suavizar as situações”.

 

Ele contou que enfrenta algumas dificuldades para a realização do trabalho em cidades consideradas conservadoras, como Uberlândia, onde tenta adaptar a arte que faz. Apesar disso, ele encontra um apoio na Associação de Teatro de Uberlândia (ATU) que proporciona para os associados acesso às leis de incentivo como a Lei Paulo Gustavo e a Lei Aldir Blanc. Por meio desses projetos é possível fomentar a criação de espetáculos locais e atividades formativas para os associados.

 

Pimentel ainda se considera privilegiado por conseguir se manter apenas como ator de teatro fora da capital. “Apesar disso, estamos no interior, um dia vou estar pintando cenário, no outro passando roupa, costurando, carregando caixa e o pouco tempo que sobra serve para divulgar os trabalhos”. Ainda segundo o artista, o grupo gera renda para outros profissionais, sendo seis funcionários fixos, além de freelancers. 


Os artistas do meio teatral enfrentam dificuldades na busca de viver da arte. Foto: Bruna Paula

 

O site da Traquitana é o ponto forte na divulgação do trabalho do grupo e, por isso, consegue atrair potenciais clientes. De acordo com o publicitário e diretor da Traquitana a rede serve como portfólio artístico, apesar da companhia ter uma forte presença on-line no Instagram.

 

Parte do público do grupo os acompanha pelo portal onde descobrem as peças que estão em cartaz. É o que ele chama de divulgação boca a boca. Apesar disso reconhece a importância da divulgação nas plataformas como o TikTok, LinkedIN e podcast. “Não conseguimos por tempo. As redes sociais demandam uma dedicação específica. O que conseguimos fazer hoje, assumimos, é o básico mesmo. Aquilo que é necessário para manter o negócio vivo, fluindo para que a gente exista”, concluiu o diretor.

 



Companhia Traquitana de Teatro e Soluções Criativas em “O Zumbi Doidão”. Foto: Reprodução/site Cia Traquitana

 

 

As plataformas de comunicação no meio musical

Por Théo Noguti

 

Nos dias atuais, a divulgação de um artista musical é essencial para que o trabalho alcance o máximo de pessoas. Comunicar-se com o público é um dos principais fatores para quem lida com a arte, tendo vários estilos de se anunciar dependendo do musicista. O que a maioria tem em comum é a utilização de redes sociais como forma de divulgação do trabalho.


As plataformas digitais são utilizadas por artistas como Maria Eduarda Calfat, ou Duda In The Sky, que é uma cantora e compositora de 21 anos, nascida em Uberlândia. Ela segue o estilo que lembra pop e indie, podendo também ser chamada de Novo MPB. Foi vencedora de duas edições do Festival Minas Music, em 2018 e 2022, tendo a carreira iniciada no ano da primeira vitória, além de já ter sido capa da playlist do Spotify Indie Brasil e estar em diversas outras coleções de músicas, que são feitas pela própria empresa de streaming.


Atualmente, Calfat mora em Belo Horizonte (MG), pelo fato de estar cursando Arquitetura e Urbanismo na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). O lançamento do single “Um Dia Maior Que o Ano”, foi em 2018, mas a  conexão com a música vem desde criança. Ela toca violão desde os 8 anos. Na fase adulta, ao ver uma oportunidade de participar do festival em Minas Gerais, resolveu se inscrever. Teve o apoio da família e de amigos. O primeiro lugar, por voto popular, superou as expectativas da própria cantora. Foi nessa época que Duda conheceu o produtor, Beto Rosa, com quem lançou mais de vinte músicas, somando 3 discos no total.


Duda e Beto Rosa em um show. Foto: Reprodução/Facebook


Quando o assunto é divulgação da arte, Duda utiliza principalmente a web. “As redes sociais são um jeito incrível de se conectar com as pessoas”.  Além disso, ela vê o meio como uma ferramenta de divulgação e acredita que é um veículo importante. Duda é quem administra os próprios canais. Ela gosta de estar envolvida em todos os processos. “Gera uma proximidade, laços com os ouvintes”.


A musicista acredita que as redes sociais podem levar o trabalho dela para todos os cantos. Além de gerar oportunidades, ela já chegou a receber um convite para fazer um show na região do sul da Bahia. Ela também revelou que já entrou em contato com uma artista na Espanha, fazendo uma colaboração e tocando nas rádios espanholas.

 


Calfat se apresentando em festival de música. Foto: Reprodução/Instagram

 

Diferentemente de Duda In The Sky, o artista Isac Commiato já vê plataformas com uma outra função. Apesar de entendê-las como algo inevitável, ele as usa para divulgação de shows e músicas, tentando sempre do modo mais natural possível. “Você tem que estar abrindo mão da essência do seu trabalho principalmente falando sobre arte".


Para o artista, o que mais funciona quando o assunto é divulgação, é o teti a teti, a conversa pessoal. "Onde as pessoas mais me conhecem é no palco, pessoalmente. Depois elas vão me procurar no Instagram".  Segundo ele, por não ter o perfil da rede social opta por tocar pessoalmente para mostrar a arte ao público.


Isac toca diversos instrumentos. Foto: acervo pessoal/Reprodução.


O artista percebe a importância das redes quando o público posta fotos e vídeos de seus shows, ajudando principalmente os músicos independentes. "Uma casa de show posta foto do show que você fez lá e foi legal, aí outra casa de show vai ver e vai te procurar".


Isac Commiato tem 21 anos, é nascido em Uberlândia e conta que respira música desde criança. “Desde que me entendo por gente eu já estava no meio das bandas, dos shows, dessa rotina dos músicos”. Ele é filho de um integrante da banda Venosa, uma banda de rock, participando de shows desde os 2 anos quando carregava uma guitarra de plástico. Ele manteve o gosto pela estrada até hoje, sendo um ambiente que se sente muito bem e confortável. 


Aos 8 anos estudou no Conservatório Estadual de Música Cora Pavan Capparelli, cantando no coral e praticando violão. Entrou para o Instituto Soul Batera, aos 9 anos, para aprender a tocar bateria. Até hoje, os dois instrumentos são os que Isac mais estuda.

 


Desde criança Isac tem conexão com a música. Foto: Reprodução/Acervo pessoal

 

Com 14 anos, começou a tocar na noite, participando como baterista na banda de pop rock da irmã na banda Lemon Drop, se apresentando em bares e ganhando seu primeiro cachê. Aos 17 anos, se mudou para São Paulo para se formar em produção fonográfica na Faculdade Anhembi Morumbi e logo em seguida voltou para Uberlândia.


 Atualmente trabalha com três grupos fixos:  as bandas Funk-se e Gandaia, além de colaborar com a Duda in the Sky como músico acompanhante e arranjador. Em todos os projetos toca principalmente violão e bateria, mas também canta na banda Gandaia.

 

Cultura Made in Bar

Por José Lucas Moreira

 

 

A dupla Lucas e Gabriel faz parte da equipe fundadora do projeto Made in Bar, que ocorre às quintas-feiras no bar e restaurante Santa Cana, localizado no bairro Santa Mônica, em Uberlândia (MG). O projeto foi idealizado pela dupla, além de Luciano Oliveira, atual parceiro de palco e, juntos, trazem um novo formato de mesa de boteco. Uma iniciativa que utiliza as plataformas digitais para divulgação do trabalho.


Made in bar é um projeto criado em agosto de 2023. A apresentação é realizada com a junção de mesas para que os clientes possam se sentar próximos aos cantores. Eles também podem pedir músicas típicas do sertanejo aproveitando o momento e cantando (veja o vídeo abaixo). A aprovação do público foi tão positiva que os integrantes receberam outras propostas para o show.  


Gabriel Henrique, 22, e Lucas Freitas, 27, são irmãos e decidiram tomar a decisão de formar uma dupla musical há três anos. Eles têm se destacado nos bares da cidade e da região. A decisão de cantar profissionalmente veio na pandemia, um período de muita dificuldade onde tiveram que se apresentar utilizando as plataformas já que não podia haver contato nessa época.



Segundo Henrique, foi graças às redes sociais que eles conseguiram permanecer com os trabalhos ativos e, mesmo passada a pior fase da Covid-19, os músicos as mantiveram como estratégia de produção do material. “Foi difícil, pois de repente iniciou-se a pandemia e tudo foi fechado. Por isso, optamos por fazer as lives solidárias para ajudar o próximo e para que nosso público soubesse que estávamos ativos.”.


O músico ressaltou ainda a importância dos meios digitais como forma de garantir a visibilidade da dupla sertaneja. “O pessoal vai acompanhando a gente pela nossa página, é aquele velho ditado, quem não é visto, não é lembrado”, finalizou Henrique.





Os irmãos são novos no meio artístico e contam com uma música autoral. Foto: Reprodução/Instagram

 
 
 

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