Como o uso excessivo de internet e redes sociais afetam a saúde do usuário
Atualizado: 13 de nov. de 2023

A alta exposição nas redes sociais criam dependências / Foto: Getty Images
Por: Felipe Pirovani
O brasileiro, cada vez mais, está ligado em redes sociais. Um levantamento feito pelo Banco Internacional de Estatística revelou que mais de 70% da população brasileira tem conta ativa em alguma plataforma, tornando o Brasil o terceiro país do mundo com o maior número de usuários. Mas o excesso de uso de telas tem gerado alguns problemas nas vidas das pessoas.
Durante a pandemia da Covid-19, muitos postos de trabalho foram transferidos para a casa do trabalhador, no sistema home office. Segundo o Instituto Brasileiro de Economia (Ibre) No ano seguinte, em 2022 houve um redução no número de empresas que aderiram ao serviço remoto, em compensação a pesquisa mostrou que esses estabelecimentos foram os que mais contrataram
O designer gráfico e gestor de mídias sociais, Rafael Lopes Xisto, 19 anos, tem experiência com esse sistema. “É bom e ruim”. Segundo ele, o ponto positivo era o fato dele fazer o próprio horário. Mas Xisto citou os pontos negativos, que em quantidade se sobressaíram. “Psicologicamente era muito ruim”. Além disso, ele cita que no escritório o trabalho rende mais.
Para o mercado, a internet criou novas possibilidades, entre eles o de esportes eletrônicos, que arrecada bilhões. Mas essa nova modalidade também trouxe problemas para a saúde de muitos adeptos. É algo que pode ser praticado por diversas horas sem parar, se transformando em um vício. “Tinha dias que eu trabalhava apenas na pausa entre o fim de uma partida e o início da outra, deixando o trabalho completamente de lado”, disse o designer. Ele relatou que era comum utilizar a madrugada para jogar e não descansar, e que costumava trabalhar sem ter parado para dormir .
A questão do vício é tão séria que em 2018 foi incorporado ao Catálogo internacional de doenças. Outro problema que o excesso de tempo na frente do computador pode ocasionar é na visão. Rafael Xisto passou a sentir necessidade de investir em óculos específicos para telas. “A ardência nos olhos eu não tenho mais e a dor de cabeça diminuiu bastante”.
A solução para os problemas pode estar no controle do tempo diante das telas, na postura correta ao se sentar e em óculos com lentes especiais atitudes que dependem de novos hábitos para novos tempos.
Home Office: A ressignificação do ambiente de trabalho
Por: Sofia Volpi
Nos últimos anos, o home office, ou trabalho remoto, se tornou um fenômeno mundial, o modelo transforma a maneira como as pessoas encaram o trabalho e a vida. Impulsionado por avanços tecnológicos, necessidades de adaptação durante a pandemia de Covid-19 e uma mudança nas expectativas dos trabalhadores.
Um estudo realizado pela Top Employers Institute revelou que 15% das empresas brasileiras adotaram o modelo facultativo. Já a pesquisa realizada pelo Grupo Top RH revelou que 85,3% dos brasileiros aceitariam a proposta de trocar o trabalho convencional por home office.
A pandemia, em 2020, acelerou a adoção desse sistema de trabalho. No artigo Benefits and Challenges of Home Office in Information Technology Companies, os principais benefícios identificados foram: flexibilidade, produtividade, possibilidade de contratar profissionais sem restrições geográficas, redução de despesas de estrutura e de deslocamento, além de melhoria da qualidade de vida.
A estagiária em Jornalismo, Juliana Gottardi, 21 anos, trabalha no esquema de home office na empresa Quero Bolsa, com sede em São José dos Campos e mora em Bauru, interior de São Paulo. "Eu acredito que precisamos analisar cada contexto. No meu contexto, é muito benéfico, no quesito de transporte, ajuda muito! Eu não teria o trabalho que eu tenho se não fosse pelo home office".
O trabalho em casa foi regulamentado pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), em 2017. A reforma trabalhista proveu respaldo legal ao teletrabalho, assegurando segurança jurídica às empresas e aos funcionários. Entretanto, a empresa é obrigada a fornecer os materiais necessários aos empregados.
Gottardi é a única da equipe que trabalha no modelo home office. Ela acredita que o time é mais produtivo quando se reúne on-line, mas que o trabalho fica mais lógico, sem conversas sobre outros assuntos, diferentemente do trabalho presencial.
O home office oferece também desafios como a falta de atividade física. Para a fisioterapeuta, Nathália Domingos, é importante que os trabalhadores procurem métodos para driblar o sedentarismo. “Todos que escolhem esse modelo de trabalho precisam estar cientes do risco à saúde, podem se tornar problemas grandes para a pessoa e daqui uns anos a conta irá chegar’’.
Uma pesquisa realizada pela Fundação Getúlio Vargas, (FGV), em parceria com o Institute of Employment Studies do Reino Unido, apontou que os profissionais têm sentido os impactos do home office em seu bem-estar. Dentre as maiores queixas citadas pelas 650 pessoas que participaram do estudo, destacam-se: Dor nas costas (56%), no pescoço (55%) e nos ombros (50%); Dificuldade para dormir (55%), fadiga ocular (45%), fadiga (43%) entre outros.

Dados: Fundação Getúlio Vargas
De acordo com a fisioterapeuta, a rotina não é 100% saudável e muitas pessoas fazem as escolhas erradas ao trabalhar em casa. “Ao longo do tempo, a coluna começa a sentir o impacto da postura adotada. Já atendi casos de pacientes que relataram diminuição de altura por conta da postura errada que ficam boa parte do dia. Trabalhar o tempo todo sentado de frente para o computador pode deformar seu corpo, e, quando não há pausa para exercício ou alongamento, piora o caso”.
É muito comum encontrar pela internet dicas de como melhorar a postura, alongamentos necessários para afugentar a postura ruim e problemas de saúde futuros, em um episódio da Rádio comandada pelo Jornal da USP, o professor de Educação Física, José Carlos Farah, também explicou um pouco sobre a ciência do movimento e da importância do alongamento
A psicóloga e mestranda pela Universidade Federal de Uberlândia, Camila Troina, também explicou alguns pontos sobre o cansaço mental dos empregados: "É claro que esse modelo de trabalho tem muitas diferenças do trabalho convencional, quando pensamos assim, o home office tem uma influência positiva muito grande. Você pode trabalhar enquanto está viajando, pode preparar seu almoço e se organizar melhor em casa".
Vício em games afeta a saúde e aumenta a ansiedade
Por: Julia Coêlho
As multitelas são recorrentes entre os jovens gamers / Foto: Julia Coelho
O vício em games digitais tem se tornado cada vez mais comum entre as novas gerações, o que tem ocasionado danos, tanto físicos quanto psicológicos, na saúde dos usuários. Há quatro anos a Organização Mundial da Saúde (OMS) passou a reconhecer a compulsão por jogos eletrônicos como uma doença.
Os primeiros videogames foram criados por volta dos anos 1950 e 1960, mas somente no final do último século e início dos anos 2000 foram popularizados. Os temas são os mais diversos. Desde simulações de combate até maquiagem e cabelo, passando por jogos educativos à ficção e imaginação. Cenários utópicos e fantasiosos, tudo é possível no mundo digital.
Em 2018 a “Preventive Medicine Reports” publicou estudos sobre a relação do tempo de uso das telas com o bem-estar e qualidade psicológica de jovens. A pesquisa revelou o aumento gradativo do uso de aparelhos eletrônicos ao longo da infância até o final da adolescência, e mostrou ainda a relação deste uso com o surgimento de sintomas psicológicos como os de ansiedade e depressão.
Um dos fatores mais alarmantes que podem contribuir para o desenvolvimento do vício é a introdução dos jogos desde muito cedo na vida de crianças e adolescentes. Atualmente, existe uma grande variedade de produtos que são consumidos facilmente e a qualquer momento, com poucos cliques e em quase qualquer aparelho eletrônico é possível encontrar games.
O estudante da Universidade Federal de Uberlândia (UFU), Eduardo Reis, 19 anos, sempre teve contato com produtos eletrônicos. “Mas o auge mesmo foi durante a pandemia, eu chegava a jogar 15, 16 horas por dia, fazia tudo enquanto jogava, até comia enquanto jogava. Eu perdi muito peso, tive insônia, comecei a desenvolver ansiedade, crise de ansiedade.”. Ele revelou, ainda, que a família tentou alertá-lo, mas já estava viciado.
O estudante explicou que atualmente não joga tanto quanto no auge da sua compulsão. “Eu não fiz nenhum tratamento, a única forma que eu cortei [o uso] foi quando meu videogame estragou e eu não tive condição de comprar um novo pra sustentar meu vício, por causa do preço. Eu só transferi meu vício do videogame pro xadrez.” Reis contou que já gastou muito com jogos on-line e hoje se arrepende de ter gasto tanto dinheiro com isso.
Reis reconhece, agora, os problemas que os jogos causaram na vida dele e já consegue ter mais controle sobre o tempo que gasta com os jogos. “Eu tento focar na faculdade e na parte esportiva pra curar meu vício, tento deixar de lado a jogatina.”
Gaming disorder, traduzido livremente do inglês para “distúrbio de jogos”, foi a nomeação formal dada à doença, que agora faz parte da Classificação Estatística Internacional de Doenças (CID-11). A psicologia e a neurologia estudam e tratam os vícios e a compulsão há anos, mas especificamente a preocupação com eletrônicos é recente. Qualquer profissional da área da psicologia, psiquiatria ou neurologia é capacitado para tratar o problema, assim como qualquer outro tipo de compulsão.
A psicóloga Izabella Arantes, formada pela UFU, explicou que o vício em jogos é como qualquer outra compulsão, com a diferença que causa menos problemas físicos por exemplo, do que o uso de drogas. “A psicologia estuda o tratamento das compulsões de uma forma geral, existe a compulsão alimentar, por drogas, redes sociais como um todo, várias outras.”
A sociedade Brasileira de Pediatria recomenda:
Dados: Sociedade Brasileira de Pediatria
Malefícios para a visão
Por: Enzo Stroppa
Nos últimos anos, um aumento nos números de doenças relacionadas aos olhos, chamou a atenção da Organização Mundial de Saúde (OMS). Mais de 1 bilhão de pessoas possuem deficiência na visão, o equivalente a um em cada oito habitantes no mundo. Uma pesquisa do Cetic.br mostrou que aproximadamente 69% das crianças e adolescentes de 9 a 17 anos, no Brasil, usam a internet diariamente. Além disso, o Centro Brasileiro de Oftalmologia (CBO), relatou que cerca de 20% das crianças, em idade escolar, têm problemas de visão.
Em 2021, os brasileiros passavam cerca de 5,4 horas por dia no celular, segundo a consultoria App Annie. Além do impacto social, as telas também refletiram na saúde da população que utiliza as ferramentas virtuais. Segundo a oftalmologista Luciana Vicente, o uso contínuo delas pode provocar um desgaste nos olhos que pode vir a se tornar uma miopia, principalmente em crianças.
A estudante de odontologia, Juliana Nepomuceno, 19 anos, teve problemas por conta do telefone móvel. “Quando eu fui ao médico, com doze anos, ele me disse que minhas dores de cabeça eram por conta do celular, e na época, eu lembro de ficar muito tempo assistindo Youtube, deitada com o celular muito perto do rosto”.
O primeiro aparelho que a jovem ganhou foi ainda na infância. O tempo de uso adequado para uma criança de 12 anos é de até três horas por dia, segundo a Sociedade Brasileira de Pediatria.“Quando eu ganhei meu celular, minha mãe colocou algumas regras, mas eu lembro que eu perdia horas assistindo vídeos. Ou eu estava no celular ou no computador, relatou.”
Um artigo publicado no jornal Jama Ophthalmology citou um estudo feito por cientistas chineses que notaram que a prevalência de miopia aumentou significativamente, variando de 1,4 a 3 vezes na faixa de 6 a 13 anos, comparado aos cinco anos anteriores. Além disso, um estudo realizado pela Administração Municipal de São Paulo revelou um aumento de 134% nos diagnósticos de miopia entre a população. No mesmo período houve um alto registro no uso de dispositivos celulares. A proporção de indivíduos com 10 anos de idade ou mais que possuíam um aparelho celular passou de 81,4% para 84,4%.
Em 2021, o CBO apontou que sete em cada dez médicos entrevistados relataram crescimento de casos de miopia entre crianças. Além do tempo gasto nos aparelhos eletrônicos, também foi relatada a falta de participação em atividades ao ar livre. A pesquisa revelou que, quanto mais tempo as pessoas passam olhando para telas, especialmente de perto, maior é o risco de desenvolver miopia. O problema é mais prevalente entre crianças e adolescentes, que usam dispositivos eletrônicos em idades cada vez mais precoces.
A miopia é um erro refrativo ocular em que imagens próximas são nítidas, mas as distantes aparecem embaçadas. Isso ocorre devido ao globo ocular alongado ou curvatura excessiva da córnea, fazendo a luz focar antes da retina. Óculos ou lentes corrigem essa distorção, direcionando a luz para a retina e proporcionando visão clara de objetos distantes. "Meu grau de miopia aumentou desde muito nova e hoje eu não enxergo mais nada sem óculos ou lente", completou a estudante. O relato da jovem é um exemplo dos muitos casos em que o erro refrativo progride com o tempo, exigindo constante ajuste nas prescrições de óculos ou lentes.
Essa situação fez com que cientistas buscassem por soluções para manter a qualidade de visão em constante evolução. Segundo o dono de uma ótica na cidade de Pontal, interior de São Paulo, Bruno Mariguela, houve um aumento na procura por óculos. “Nos últimos seis ou sete anos, até um pouco mais, uns dez anos, teve um aumento de demanda na nossa loja, até porque hoje as crianças praticamente nascem com o celular na mão.”
Para diminuir os efeitos das telas sobre a visão, o mercado disponibiliza lentes específicas sendo uma delas a antirreflexo. Ela é revestida com camadas especiais que reduzem reflexos e brilhos indesejados. Também existe a possibilidade de lentes azuis, elas são projetadas para filtrar a luz emitida por dispositivos eletrônicos.
O uso excessivo de telas pode causar problemas graves para a visão/ Foto: Reprodução Internet
Para proteger os filhos dos malefícios que o uso excessivo dos eletrônicos podem causar, Noelle Elias, mãe de gêmeos de 7 anos, toma algumas medidas. “Eles mesmos já sabem qual horário eles podem começar a jogar. Depois do almoço, mais ou menos às 12h30 eles pegam o tablet, e ficam até às 14h00. Quando chega o horário de guardar o tablet eles mesmo vão e guardam. Quando chega de noite eu deixo eles usarem o computador mais uns trinta ou quarenta minutos. Aqui a gente administra assim”.
O poder que as redes sociais têm sobre o usuário
Por: Vítor Turolla
À medida que plataformas se tornam mais integradas em nosso cotidiano, também surge uma preocupação crescente sobre os impactos à saúde mental dos usuários. Um dos principais fatores associados a isso na era digital é o algoritmo. Um conjunto complexo de fórmulas e cálculos que determina o que você vê em sua linha do tempo.
A opacidade desse algoritmo cria um desafio para os usuários, uma vez que a lógica por trás das recomendações permanece obscura. "O algoritmo não é revelado, não temos acesso ao algoritmo que é utilizado no Twitter, Instagram, YouTube", comentou o pesquisador na área da computação, Gabriel Amaral.
O algoritmo utiliza informações do usuário e dentro do seu sistema são definidos os futuros conteúdos oferecidos. Interações mais simples, como curtidas, compartilhamentos, tempo de retenção em um assunto, visitas em perfil, ou também mais objetivas, como idade, sexualidade e localização podem ser usados.
A personalização do uso é a principal vantagem dos algoritmos para o usuário, segundo o pesquisador. “Você acessa um conteúdo por tanto tempo e interage de diversas maneiras, enquanto isso o algoritmo contabiliza esses valores [interações] e faz cálculos de probabilidade e recomenda um conteúdo que reteria a sua atenção. Com base nesses cálculos, fazendo com que o usuário acesse outro conteúdo novamente e repita esse ciclo”, acrescentou Amaral.
Confira a fala completa de Gabriel Amaral no vídeo abaixo.
Fonte: Entrevista realizada por Vítor Turolla
Na tentativa de agradar o internauta, o algoritmo recomenda conteúdos que não discordem com o anterior, criando uma “bolha social”. Segundo o filósofo Karl Popper, uma bolha social é uma realidade virtual que isola o indivíduo da diversidade de opiniões e informações, criando um ambiente onde predominam conteúdos que reforçam suas crenças e gostos, ao mesmo tempo que limitam o acesso a visões divergentes.
Para a psicóloga, Camila Tróina, esse fenômeno é prejudicial para a interação entre as pessoas. “Nós vamos nos enviesando a ponto de que a realidade se torna exclusivamente aquilo, como se não houvesse outras formas de viver, consumir, pensar. Ficamos sem acesso a essas outras perspectivas, e sem elas deixamos de ampliar nossos olhares ". Segundo Tróina, esse modelo traz profundos impactos na sociedade atual. O fenômeno rompe a capacidade dialética, que é necessária para a construção de um ser na sociedade.
Segundo Amaral, os usuários não são afetados de forma igual. Quem utiliza a rede social sem um fim definido sofre de maneira mais assídua. “A pessoa que usa a rede social como refúgio e distração da vida real acaba sendo bombardeada com conteúdos agradáveis e que, de certa maneira, são utilizados como uma distração e uma manutenção da ansiedade”.
Mas existem outros riscos. A falta de regulamentação na programação dos algoritmos que impulsionam as plataformas podem trazer problemas. A Inteligência Artificial (IA) é um campo complexo e em constante mudança. "Não sabemos até onde a IA pode chegar," alerta o pesquisador. A complexidade da IA, combinada com sua natureza em constante evolução, pode tornar desafiador uma regulamentação. Enquanto a IA e os algoritmos continuam avançando rapidamente, nossa legislação não acompanha o ritmo.
O uso livre de regulamentação dessa ferramenta vem causando um grande impacto na saúde mental dos usuários. O algoritmo costuma manter as pessoas entretidas, envolvidas e presas às telas, mas esse comprometimento com o engajamento contínuo não vem sem custos. Um dos efeitos adversos mais evidentes é o desenvolvimento de uma dependência sutil, que muitas vezes passa despercebida. "Essas ferramentas das redes sociais, como avaliações e curtidas, fazem com que o cérebro assimile aquilo como algo muito bom, e como estamos profundamente inseridos no mundo das redes sociais, isso se torna parte de nossa vida e, posteriormente, uma dependência," disse Troina.
Segundo Amaral, quando se utiliza a rede social, o internauta passa uma imagem idealizada sobre si mesmo. Essa observação nos leva a considerar como a natureza de cada plataforma influencia a forma como os indivíduos moldam suas personalidades no universo on-line.
No Instagram a abordagem é diferente. De acordo com o pesquisador, trata-se de uma plataforma onde os usuários buscam projetar uma imagem otimista e idealizada de si mesmos. “É o lugar onde compartilham fotos cuidadosamente escolhidas que representam uma versão otimista da vida. Aqui, o foco está na criação de uma narrativa de sucesso, exibindo imagens de paisagens deslumbrantes e momentos de felicidade, com o objetivo de transmitir a ideia de sucesso e realização”.
Essa exposição, segundo Tróina, é uma lógica capitalista, como se os bens materiais ou econômicos ostentados fossem um termômetro do sucesso e da vida perfeita. Segundo ela, o grande problema surge quando o indivíduo não consegue alcançar esse sucesso idealizado. "Quem não consegue ter acesso é renegado a um outro patamar, como se a pessoa não fosse boa o suficiente, como se estivesse falhando. Sempre recebo pacientes que se sentem angustiados por sentirem que já deveriam ter carro e casa. Essa idealização traz a busca por mais consumo e, consequentemente, mais trabalho, que trará problemas físicos e mentais."
No entanto, Amaral observa que o X, antigo Twitter, opera sob uma lógica completamente oposta. Os usuários dessa plataforma frequentemente adotam uma persona mais crítica, sarcástica e irônica. "No Twitter é uma persona completamente oposta, geralmente mais crítica, sarcástica, irônica"
Esse comportamento, segundo a psicóloga, está ligado ao fator da exposição. "Sabe-se muito sobre a vida da pessoa sem ter intimidade, o que abre a brecha para opinar sem o cuidado de uma pessoa íntima. É comum ver batalhas sendo travadas diariamente nesses ambientes virtuais, tratando o outro como um verdadeiro inimigo, sem o cuidado da intimidade. Esses ataques negativos produzem um efeito negativo de reprovação". Segundo ela, os vínculos não se limitam às redes sociais, podendo extrapolar para o mundo real levando a problemas como ansiedade, depressão e angústia.
No áudio a seguir, a psicóloga comentou sobre o assunto com maior profundidade.





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